Síndrome fetal alcoólica
Sex, 24 de Abril de 2009 19:59
Síndrome fetal alcoólica


Alcoolismo


associação psiquiátrica americana (1968): categoria que se aplica a pacientes cuja ingestão de álcool é suficientemente grande para causar e danos à sua saúde física ou seu funcionamento pessoal ou social ou quando a bebida se torna um pré-requisito para um funcionamento normal

considera a existência de três tipos:
ingestão excessiva episódica
ingestão excessiva habitual
adição ao álcool

Alcoolismo no Brasil

5% a 10% da população adulta
recordista mundial em alcoolismo infantil (10 a 12 anos)
responsável por:
ocupação de cerca de 32% dos leitos hospitalares
40% das consultas médicas
50% dos acidentes de trânsito e no trabalho
responsável por 33% das separações conjugais
3a maior causa de absenteísmo no trabalho


Abuso e dependência de álcool epidemiologia


4% das mulheres com idades entre 30-40 anos nos USA
Welner et al. (1983) relataram 9% de alto consumo entre as mulheres nos USA;  34% das gestantes reduziram o consumo ao saberem da gravidez
2% a 26% de alto consumo entre as mulheres grávidas nos USA
Wright et al. (1983) encontraram 20,5% de alto consumo entre grávidas nos USA

Abuso e dependência do álcool


definições:

baixo consumo
bebem menos de uma vez ao mês e nunca mais do que 5 doses em uma ocasião

consumo elevado
5 ou mais doses em algumas ocasiões ou mais do que 45 doses/mês

consumo moderado
mais de 1 dose/mês mas sem atingir os níveis considerados elevados


definições:

baixo consumo
entre 1-10 ml álcool absoluto/dia

consumo moderado
entre 10 -20 ml álcool absoluto/dia

consumo elevado
mais do que 20 ml álcool absoluto/dia

                                uma dose = 15 ml de álcool absoluto


Síndrome fetal alcoólica (SFA) histórico


relação entre ingestão de bebidas alcoólicas e efeitos teratogênicos assinalada no século XVIII na Inglaterra durante a “epidemia do gim”
Lemoine et al. (1968) publicaram estudo sobre 127 crianças nascidas de mães alcoólatras e descreveram as várias alterações presentes
Jones & Smith (1973) reconheceram o mesmo padrão clínico e propuseram a denominação de “síndrome fetal alcoólica” (SFA)


Síndrome fetal alcoólica (SFA) quadro clínico

baseia-se na presença da tríade:

deficiência de crescimento pré e/ou pósnatal

malformações crânio-faciais características

disfunções do sistema nervoso central


Síndrome fetal alcoólica (SFA) epidemiologia

França, USA e Suécia - 1:750 nascidos vivos
algumas reservas indígenas nos USA - 1:99 nascidos vivos
estimativa média mundial - 1,9:1 000 nascidos vivos
de acordo com estes números, a SFA seria a causa mais comum de retardo mental de origem não genética


Síndrome fetal alcoólica (SFA) critérios diagnósticos


A - anormalidades faciais características
B - retardo no crescimento (pré e/ou pósnatal)
C - disfunções do sistema nervoso central (SNC)

para o diagnóstico da SFA devem estar presentes alterações em A, B e C
quadros parciais têm sido denominados de efeitos fetais do álcool (EFA), defeitos congênitos relacionados ao álcool (DCRA) e distúrbios do desenvolvimento relacionados ao álcool (DDRA)


Síndrome fetal alcoólica (SFA) critérios diagnósticos


A - anormalidades faciais características
microcefalia
fendas palpebrais curtas
filtro pouco pronunciado
lábio superior estreito
hipoplasia maxilar
ptose palpebral, pregas epicânticas e sobrancelhas altas e arqueadas

Síndrome fetal alcoólica (SFA) critérios diagnósticos


B - retardo no crescimento

em geral, com início pré-natal mantendo-se posteriormente
peso e altura, freqüentemente, abaixo do percentil 10 sendo o peso mais severamente afetado
têm sido descritos casos com peso e altura dentro de limites normais


Síndrome fetal alcoólica (SFA) critérios diagnósticos


C - disfunções do SNC
anormalidades neurológicas, do desenvolvimento e/ou intelectuais:
tremores, prejuízos motores, atrasos do desenvolvimento, hiperatividade, prejuízos intelectuais, dificuldades na aprendizagem escolar
alterações do tamanho dos ventrículos, alterações do corpo caloso, redução do tamanho do cerebelo, crises convulsivas, perdas auditivas, alterações visuais e outras


Síndrome fetal alcoólica (SFA) defeitos congênitos relacionados ao álcool (DCRA)


cardíacos
defeitos septais dos átrios
defeitos septais dos ventrículos

esqueléticos
encurtamento do 5o dedo
sinostóse radio-ulnar
contraturas em flexão
campodactilia
pectus excavatum e carinatum
síndrome de Klippel-Feil
hemivértebras
escoliose

renais
rins displásicos ou hipoplásicos
rins em ferradura
duplicações ureterais
hidronefróse
oculares    
estrabismo
problemas de refração secundários ao tamanho reduzido dos globos oculares
anomalias vasculares da retina
auditivos
perda condutiva
perda neurosensorial
outros
praticamente, todos os tipos de defeitos congênitos foram descritos em pacientes com a SFA porém a relação destes com o álcool é incerta


Síndrome fetal alcoólica (SFA) distúrbios do desenvolvimento relacionados ao álcool (DDRA)


evidências de desordens do SNC tais como:

crânio de dimensões reduzidas ao nascimento
anormalidades estruturais tais como agenesia parcial ou completa do corpo caloso, hipoplasia cerebelar etc.
anormalidades comportamentais e/ou cognitivas variadas


Síndrome fetal alcoólica (SFA) quadro clínico


o grau de prejuízo é muito variável e o QI, por exemplo, varia de normal a severamente subnormal (em média, por volta de 60)
as anormalidades físicas também variam de discretas a muito evidentes
embora os sinais e sintomas nunca desapareçam, eles se modificam bastante com a idade sendo que as características físicas são mais marcantes entre os 2 e os 12 anos de idade

Síndrome fetal alcoólica (SFA) e autismo infantil


foram descritas seis crianças que apresentavam as características da SFA e que preenchiam os critérios do DSM-III-R para o diagnóstico de autismo infantil

quatro meninos e duas meninas
idade entre 6 e 15 anos
todas apresentavam retardo mental moderado ou severo